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Nos 65 anos da CCILA – Os desafios da formação profissional em conferência

05.07.19 AHK-Kammernews

Os desafios que se colocam às empresas, às instituições de formação profissional, às universidades e politécnicos e ao Governo na preparação de recursos humanos para satisfazer as necessidades do país e garantir a sua competitividade no contexto internacional foram o tema em destaque na Conferência “Empregos qualificados exigem qualificações adequadas: Estamos preparados?”, que se realizou no EUROPARQUE, em Santa Maria da Feira.

Inserida nas comemorações dos 65 anos da Câmara Luso-Alemã, esta conferência reuniu especialistas portugueses e alemães para um debate produtivo, que analisou em profundidade o tema proposto e apontou caminhos para possíveis soluções.

Coube a Miguel Leichsenring-Franco dar início aos trabalhos. No seu discurso de abertura, o presidente do Conselho Diretor da Câmara Luso-Alemã destacou a importância de reorientar a formação para os novos desafios: se, por um lado, as empresas receiam a escassez de recursos qualificados em virtude da quebra demográfica ou da resposta inadequada das instituições de ensino e o efeito negativo desta realidade sobre o crescimento económico, por outro lado, a crescente automatização de determinadas funções coloca em risco um número indeterminado de postos de trabalho. Enfrentar estes desafios e resolvê-los a contento de todas as partes envolvidas é fundamental para evitar o declínio económico e assegurar a prosperidade.

Seguiu-se a intervenção de Paulo Feliciano, vice-presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), que acentuou o enorme progresso feito em Portugal nesta área, o que foi decisivo para a redução da taxa de desemprego. No entanto, uma larga fatia da população portuguesa ainda tem qualificações muito baixas.

Paulo Feliciano destacou também que as empresas já não procuram apenas recursos humanos com competências técnicas para o desempenho de uma profissão, pelo contrário, as competências práticas e funcionais – as chamadas soft skills – são cada vez mais valorizadas. Coloca-se então ao sistema de formação profissional o desafio de também saber desenvolver estas competências. Mas para assegurar o sucesso da formação e, por conseguinte, o sucesso do país, o vice-presidente do IEFP apela a uma estreita colaboração entre todos os stakeholders envolvidos.

Carlos Maia, da HAYS Portugal, trouxe a esta conferência as conclusões do estudo “Guia de Mercado Laboral 2019”, um trabalho de análise que é realizado por esta empresa há já 15 anos para avaliar atitudes e preferências de trabalhadores e empresas. De acordo com os dados divulgados por Carlos Maia, as principais dificuldades do mercado de trabalho, segundo os empregadores, são a falta de profissionais qualificados (53 porcento), a desadequação entre a oferta de profissionais e as vagas disponíveis (49 porcento) e a pouca articulação entre o sistema de ensino e as empresas (37 porcento). Quanto aos perfis mais difíceis de recrutar, são os comerciais (37 porcento, com maior impacto no sul do país), seguindo-se as tecnologias de informação (27 porcento, mais acentuado no norte) e os quadros de engenharia (21 porcento, mas com maior dificuldade na região centro). Estes dados são especialmente importantes, já que correspondem aos mais procurados. Com efeito, para 2019, os perfis que terão maior procura serão os comerciais (31 porcento), as tecnologias de informação (30 porcento), engenheiros (26 porcento), administrativos (16 porcento) e marketing e comunicação (15 porcento). Especialmente relevante, é o facto de 65 porcento das empresas referirem que já recrutaram pessoas com qualificações menos adequadas às necessidades das funções.

A terminar a primeira parte da Conferência realizou-se o painel “Como a academia e os centros de formação estão a responder às necessidades das empresas”, que se iniciou com uma intervenção do presidente do INESC TEC e professor da FEUP, José Manuel Mendonça, sobre a “Formação avançada em engenharia através de projetos de inovação e transferência de tecnologia nas empresas”. Na sua apresentação, José Manuel Mendonça destacou a importância crítica de área como as engenharias e as Tecnologias de Informação. À semelhança de Paulo Feliciano, também José Manuel Mendonça referiu a crescente valorização de soft skills por parte das empresas, o que representa um desafio adicional às instituições que formam os jovens.

Seguiu-se o debate, no qual participaram Daniel Traça (Dean da Nova SBE), Paulo Feliciano (IEFP), Silke Griemert (Universidade de Koblenz, Alemanha), Rui Ferreira (Vice-Presidente do Instituto Politécnico do Porto), Reiner Valier (representante do BMBF, o Ministério Alemão da Educação e Investigação) e Diogo Pimenta (presidente da Associação de Estudantes da FEUP). A moderação esteve a cargo de Fernando Gonçalves, jornalista e diretor da revista Transportes & Negócios. No centro desta ronda de discussão esteve o impacto do digital na disponibilidade e na procura de recursos humanos, bem como a necessidade de se encontrarem novas vias para o desenvolvimento das competências funcionais nos jovens, um contexto no qual a formação dual poderá ter um papel relevante. Também a questão da fixação dos recursos humanos foi abordada, uma questão sensível, que, na opinião de Daniel Traça, poderá passar por uma necessidade de equiparação dos salários nacionais aos praticados no estrangeiro.

Já depois do almoço, deu-se início ao segundo painel do dia, subordinado ao tema “Necessidades das empresas: qualificações para um futuro que já começou”. António Bob Santos, administrador da Agência Nacional de Inovação (ANI), abordou a problemática da inovação na sua apresentação “Os impactos da automação no emprego e no desenvolvimento económico” e recordou que, nos rankings internacionais, Portugal tem uma boa classificação neste campo, no entanto, encontra-se abaixo de todas as médias no que respeita à formação. Neste campo é necessário um maior esforço na qualificação de base dos jovens e na requalificação da população empregada.

O debate que se seguiu foi moderado pela jornalista e subdiretora do Dinheiro Vivo Joana Petiz e contou com a participação de Alexandra Godinho (diretora geral RH da Corticeira Amorim), Ana Branco da Cunha (diretora geral RH da The Fladgate Partnership), António Rosas (diretor de RH da Kirchhoff Automotive), Jürgen Haase (Diretor de RH e Organização da Volkswagen Autoeuropa) e Rita Cadillon (Diretora RH da Primavera Business Software Solutions).

Estes profissionais debateram os impactos positivos e negativos da digitalização nos próximos anos na área dos recursos humanos e as vias para manter os postos de trabalho, mas adaptando-os às novas realidades.

No encerramento desta conferência, Fernando Gonçalves fez um breve resumo dos principais temas e conclusões apresentados ao longo de um dia intenso, mas rico em informação e de grande utilidade.

 

Veja aqui a conferência na imprensa:

https://www.dinheirovivo.pt/economia/automacao-e-digitalizacao-vao-mudar-empregos/

https://www.dinheirovivo.pt/carreiras/mercado-digital-crescente-exige-aposta-nas-qualificacoes-2/

https://www.dinheirovivo.pt/economia/falta-de-trabalhadores-qualificados-pode-ser-travao-a-economia/

https://diariodafeira.com/camara-de-comercio-alemao-alerta-para-formacao-profissional-suicida/

 

As apresentações estão disponíveis para download nos seguintes links:

Calos Maia, HAYS Portugal

José Manuel Mendonça, INESC TEC/FEUP

António Bob Santos, ANI

 

Veja as imagens da Conferência aqui!

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