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Alemanha: A crise no setor da construção chega ao fim

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Um aumento significativo das licenças em janeiro dá esperança ao setor da construção, que se encontrava em dificuldades – e poderá aliviar a pressão sobre o mercado imobiliário no futuro.

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O número de licenças de construção para habitações continuou a aumentar no início do ano. Em janeiro, com 19 500 licenças, registou-se um aumento de cerca de 8,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados pelo Destatis (Instituto Federal de Estatística).

 

A construção de habitações, fortemente afetada pela crise, conseguiu uma inversão de tendência em 2025: após três anos consecutivos de queda, o número de licenças de construção voltou a subir pela primeira vez no ano passado. Taxas de juro mais elevadas e custos de materiais mais altos tinham dissuadido muitos promotores imobiliários nos três anos anteriores.

 

No entanto, os especialistas alertam para novos riscos decorrentes do conflito com o Irão. «O aumento dos preços dos combustíveis e, consequentemente, o aumento da inflação travam a atividade no setor da construção por duas vias», afirmou o diretor científico do Instituto de Macroeconomia e Investigação Conjuntural (IMK), Sebastian Dullien. Assim, o Banco Central Europeu poderá ser obrigado a aumentar as taxas de juro. «Isto leva a taxas de juro mais elevadas no setor da construção, o que torna a construção de habitações menos acessível», alertou Dullien. Por outro lado, existe o risco de uma redução do poder de compra devido aos preços mais elevados da energia, ou seja, menos dinheiro para construir uma casa própria.

 

O diretor-geral da Associação Central da Indústria da Construção Alemã, Tim-Oliver Müller, também manifestou preocupação com o aumento dos preços dos combustíveis. «Uma vez que cerca de 40% do consumo de energia no setor da construção corresponde ao gasóleo, as empresas são diretamente afetadas», afirmou. A Associação Central do Setor Imobiliário (ZIA) declarou que os custos de construção aumentaram cerca de 60% entre 2015 e o final de 2023. Após o início da invasão russa da Ucrânia, há mais de quatro anos, os preços da energia já tinham subido drasticamente.

 

Em janeiro, o número de licenças de construção para moradias unifamiliares cresceu 12,6%, para 3 800. No caso das moradias geminadas, o aumento foi ainda mais acentuado, com 26,1%, para 1 200. No que diz respeito aos edifícios de habitação coletiva, o tipo de edifício mais numeroso, as autoridades de supervisão da construção aprovaram 10 500 novos apartamentos. Trata-se de um aumento de 7,1%.

 

Os analistas tinham previsto um aumento das licenças de construção. Como motivos, apontaram os gastos públicos na ordem dos milhares de milhões, mas também uma estabilização dos preços da construção e das taxas de juro. Devido, em particular, ao forte aumento das taxas de juro e dos custos na sequência da guerra na Ucrânia, o setor encontrava-se anteriormente numa crise prolongada. Os promotores privados já não conseguiam pagar a sua própria casa e os investidores congelaram os seus planos. Com isso, aumentou a pressão sobre os mercados imobiliários, sobretudo nas cidades.

 

 

Fonte: Reuters, Spiegel Online

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