O Governo alemão aprovou um pacote de reformas que prevê um alívio fiscal de dez mil milhões de euros, maior flexibilidade nos contratos de trabalho e uma redução significativa da burocracia. As medidas foram bem recebidas pelas associações empresariais, mas suscitaram críticas por parte da oposição e dos sindicatos.
Os líderes dos partidos da coligação governamental chegaram a acordo sobre um pacote composto por 34 medidas, que inclui também reformas já em curso nas áreas das pensões e da saúde. A flexibilização prevista do horário de trabalho foi, contudo, adiada.
Ao longo dos últimos meses, os parceiros da coligação trabalharam neste amplo pacote de reformas, que pretende reforçar a sustentabilidade dos sistemas de proteção social e revitalizar a economia alemã, atualmente em fase de estagnação. O Chanceler Friedrich Merz classificou o pacote como uma "mudança de rumo há muito aguardada", afirmando: «Queremos colocar a Alemanha novamente no caminho certo. Ficou agora demonstrado que isso é possível.»
As empresas e parte dos sindicatos veem oportunidades nas novas medidas. O Presidente da Confederação Patronal, Rainer Dulger, considerou que o Governo deu um passo importante rumo ao crescimento económico e à criação de emprego, defendendo que este deverá traduzir-se numa verdadeira recuperação da economia. Também a DIHK – Câmara Alemã da Indústria e do Comércio avaliou positivamente o pacote, destacando a redução da burocracia como um «verdadeiro avanço».
Já a oposição e os sindicatos manifestaram reservas. A presidente do sindicato IG Metall, Christiane Benner, criticou as alterações previstas à proteção contra o despedimento e o alargamento da possibilidade de recorrer a contratos a termo sem necessidade de justificação, considerando-as um «ataque aos direitos dos trabalhadores». Também a proposta de eliminar a possibilidade de baixa médica por telefone tem encontrado forte oposição sindical.
A ministra do Trabalho, Bärbel Bas, elogiou a capacidade de compromisso demonstrada por ambas as partes e sublinhou o sentido de responsabilidade da coligação governamental. Com este pacote, o Governo pretende demonstrar capacidade de ação antes das importantes eleições regionais que terão lugar, em setembro, em dois estados federados da Alemanha Oriental. Segundo Friedrich Merz, o centro político deve mostrar que «estamos a transformar o nosso país, a modernizá-lo e a prepará-lo para o futuro».
Fonte: deutschland.de, dpa