A indústria alemã envia sinais contraditórios após o início da guerra no Irão: enquanto as suas exportações cresceram de forma surpreendente em março, apesar de uma quebra nos negócios com os EUA, as empresas reduziram inesperadamente a sua produção, apesar de uma melhoria na carteira de encomendas.
As exportações cresceram 0,5% em relação ao mês anterior, para 135,8 mil milhões de euros, devido à maior procura da Europa, conforme informou na sexta-feira o Instituto Federal de Estatística. As exportações para os países da UE aumentaram 3,4%, para 78,4 mil milhões de euros.
No entanto, apesar de uma queda, a maior parte das exportações para um único país voltou a ser destinada aos EUA. Para lá foram entregues mercadorias alemãs no valor de 11,2 mil milhões de euros. Este valor representou uma redução de 7,9% em relação a fevereiro e de 21,4% em relação ao ano anterior, o que significa a maior queda desde junho de 2020. «A política aduaneira do Presidente dos EUA, Donald Trump, deixa assim marcas evidentes de travagem», afirmou o Economista-Chefe do VP Bank, Thomas Gitzel. Também o comércio alemão com a China sofreu perdas: as exportações para a República Popular da China caíram 1,8% em relação ao mês anterior, para 6,0 mil milhões de euros.
Só a indústria reduziu a sua produção em março em 0,9% em relação ao mês anterior. A evolução variou de setor para setor: os fabricantes de máquinas produziram menos 2,7%, enquanto os fabricantes de automóveis produziram mais 1,9%. A indústria tinha recebido recentemente um número surpreendentemente elevado de encomendas: os novos negócios cresceram em março 5,0% em comparação com o mês anterior, porque muitas empresas, receosas de aumentos de preços na sequência da guerra com o Irão, fizeram reservas de mercadorias e reforçaram os seus armazéns.
As importações aumentaram 5,1% em relação a fevereiro, para 121,5 mil milhões de euros. As novas tarifas anunciadas por Trump para as importações de veículos da UE poderão ter um impacto negativo. Estas deverão aumentar de 15% para 25%. Os Estados Unidos são um importante mercado de escoamento para os fabricantes de veículos alemães.
As exportações para o Médio Oriente registaram uma queda significativa no início do ano. As exportações para a República Islâmica do Irão diminuíram em março 67% em comparação com o mesmo mês do ano anterior, situando-se em pouco menos de 25 milhões de euros. As exportações para países vizinhos também caíram drasticamente: as destinadas ao Catar diminuíram quase 60%, para cerca de 54 milhões de euros, e as para o Iraque, 55%, para 58 milhões de euros. As exportações para o Kuwait desceram 58%, para cerca de 44 milhões de euros, e as para a Arábia Saudita, mais de 13%, para 643 milhões de euros. O comércio com os Emirados Árabes Unidos (EAU) diminuiu mais de 38 por cento, para 582 milhões de euros, o com Omã 17 por cento, para cerca de 45 milhões de euros, e o com o Bahrein 64 por cento, para 14,2 milhões de euros. «O forte recuo das exportações para a região deve-se, por um lado, à guerra entre os EUA/Israel e o Irão e, sobretudo, ao bloqueio do Estreito de Ormuz imposto pelo Irão na sequência desse conflito», afirmou Peter Schmitz, especialista da agência de promoção comercial estatal Germany Trade & Invest (GTAI).
Fonte: Handelsblatt, Reuters