Portugal conseguiu registar um novo crescimento das exportações em 2025 apesar da turbulência e da incerteza no comércio mundial, mas apenas à custa de transações sem transferência de propriedade. Estas, associadas frequentemente a trabalhos por encomenda, ditaram o crescimento de 0,5% reportado esta segunda-feira, dado que, excluindo esta componente, 2025 teria fechado com menos 1,6% de exportações do que no ano anterior. Em sentido inverso, nota positiva para o crescimento das vendas para a Alemanha.
Mais especificamente, o mercado norte-americano, que tinha ganho importância para as exportações nacionais, sobretudo em determinados setores, registou uma queda de 13,4%, mas não conseguiu impedir um novo crescimento do indicador. Em termos de quota de mercado, os EUA continuaram a ser o quarto mercado mais importante e o mais importante fora da UE, mas perderam 0,9 pontos percentuais e representam agora 5,8% das exportações portuguesas.
Além dos EUA, as vendas para o Reino Unido, Itália, Países Baixos e Marrocos recuaram em comparação com o ano anterior, detalha a nota do INE publicada esta segunda-feira, com destaque para a quebra de 10,1% nas exportações para os parceiros marroquinos. Em sentido inverso, a Alemanha, que se manteve como segundo destino principal das exportações nacionais, acelerou 14,5%.
Também Espanha, principal parceiro comercial português, viu um crescimento de 0,6% nas exportações, enquanto França, o terceiro principal destino nacional, registou um aumento marginal de 0,1%. No top-10, Bélgica e Polónia também viram incrementos de 0,9% e 2%, respetivamente. Contas feitas, os três principais compradores das vendas portuguesas para o exterior representam mais de metade do volume exportado.
Do lado das importações, Espanha representa quase um terço do bolo, com 32,9% e um crescimento de 3,9%, enquanto Alemanha e França fecham o top 3, com aumentos de 9% e 4,9%, respetivamente. Destaque ainda para a China, cujas vendas para Portugal aumentaram 14,6%, permitindo ultrapassar Itália na quinta posição dos fornecedores externos nacionais.
Em contrapartida, é de salientar que o Brasil registou uma queda de 27,9% nas encomendas portuguesas, devido principalmente à diminuição na categoria de combustíveis e lubrificantes, resultante de «menores volumes comerciais e preços», o que fez com que o Brasil caísse da sétima para a nona posição no ranking das importações portuguesas.
Também os EUA registaram uma queda de 1% no volume e caíram da nona para a décima posição.
No final das contas, a balança comercial voltou a piorar: o défice de 32,1 mil milhões de euros é 3,752 mil milhões de euros superior ao do ano anterior, o que se deve a uma aceleração mais forte das importações do que das exportações. Embora esta categoria domine as exportações, o défice de 6,9 mil milhões de euros também é maior no setor dos bens industriais.
Fonte: O Jornal Económico