Fundada em 1776 por Thomas Garland, a empresa atravessou guerras, revoluções, mudanças de regime e crises económicas, num percurso marcado pela capacidade de adaptação às transformações políticas, económicas, sociais e tecnológicas.
Integrado nas comemorações do aniversário do Grupo Garland, o lançamento deu a conhecer um projeto editorial que cruza a história da empresa com alguns dos acontecimentos mais marcantes da história de Portugal e do mundo, mostrando de que forma os contextos de cada época influenciaram as decisões e a evolução do negócio.
A sessão foi aberta por Mark Dawson, CEO da Garland, para quem a efeméride representa um marco que ultrapassa a dimensão empresarial. “O ano em que celebramos 250 anos da Garland, é um ano histórico para nós. Para colocar em perspetiva, a Garland é ligeiramente mais velha do que a declaração de independência dos Estados Unidos da América”, exemplificou.
O responsável sublinhou ainda a importância das pessoas e da capacidade de adaptação na longevidade da organização: “quando uma empresa consegue chegar aos 250 anos, há uma coisa que se torna evidente: não é apenas a história de uma empresa, é a história das pessoas, das famílias, das relações e, acima de tudo, a capacidade de adaptação ao mundo à nossa volta.”
A origem do livro remonta a mais de três anos, na sequência da reforma de Bruce Dawson, que esteve ligado à Garland durante 50 anos, 25 dos quais como presidente. Desafiado pela administração que lhe sucedeu a reunir as suas memórias e experiências e a aprofundar a história da empresa, Bruce Dawson deu início ao trabalho que viria a servir de base à publicação comemorativa.
Para concretizar o projeto, a Garland convidou a editora Have a Nice Day, que, ao longo dos seis meses anteriores ao lançamento, desenvolveu uma investigação complementar, com recolha documental e de testemunhos, entrevistas e trabalho de escrita.
Para Ana Rita Ramos, CEO da Have a Nice Day, o livro tem uma dimensão cultural e histórica. “Há aqui também um sentido de responsabilidade social e cultural, para deixar este legado. É um legado que deixam para o país”, afirmou no lançamento da obra.
A evolução da Garland ao longo das últimas seis décadas é particularmente visível na dimensão da sua estrutura e na capacidade logística. Bruce Dawson recordou a realidade que encontrou quando entrou na empresa, em 1966, e comparou-a com a organização atual, destacando o papel dos colaboradores na construção desse percurso.
“Quando entrei na Garland, em 1966, tínhamos à volta de 50 a 60 colaboradores, entre Lisboa e Porto. Hoje temos mais de 600. Não tínhamos centros de logística, hoje temo 159 mil m2 de armazenagem. Penso que estamos a deixar uma empresa feliz.”
O antigo presidente salientou também a importância de uma cultura empresarial assente na valorização de todos os trabalhadores, independentemente da sua posição hierárquica. “O meu pai dizia sempre que nunca devíamos esquecer que um contínuo é tão importante como o presidente. Tentamos sempre dar felicidade aos funcionários e só depois disso vêm os clientes e os fornecedores”.
A continuidade da Garland foi igualmente destacada por Chris Barton, CEO da Câmara de Comércio Luso-Britânica, que enquadrou os 250 anos da empresa à luz das profundas mudanças tecnológicas e sociais ocorridas desde a sua fundação.
Para o responsável, a longevidade da empresa ganha especial significado quando considerada a transformação dos transportes, das comunicações e das formas de desenvolver a atividade económica. “Ao longo desses 250 anos, a forma como nos transportamos, como nos comunicamos e como realizamos as nossas atividades mudou drasticamente. Estamos a celebrar uma empresa que não apenas atravessou essas transformações, mas adaptou-se continuamente a elas”, destacou.
A importância das pessoas e da cultura organizacional foi também sublinhada por Joaquim Azeredo, antigo administrador da Garland. “O sucesso da Garland assenta nos seus valores, na sua cultura e na capacidade de, ao longo dos tempos, e perante contextos sociais e históricos diversos, contar com pessoas capazes de enfrentar as adversidades e encontrar novos caminhos”, sublinhou.
O antigo Administrador destacou igualmente o contributo das relações internas para a consolidação da empresa, considerando que a história da Garland é indissociável do envolvimento das pessoas que dela fizeram parte. A adaptação às novas tecnologias e aos desafios da economia global constitui, neste sentido, uma das linhas de continuidade da organização.
A transformação digital e a internacionalização foram outros dos aspetos identificados por Joaquim Azeredo como determinantes para a evolução recente do grupo. “A era digital trouxe novos desafios, mas, mais uma vez, a Garland adaptou-se, avançou apara a internacionalização, alcançando os resultados que hoje estão à vista.”
O encerramento da sessão coube a Peter Dawson, antigo presidente da Garland, que recordou a sua ligação de 30 anos ao grupo e destacou a capacidade de liderança e a visão estratégica como fatores essenciais para a continuidade da empresa ao longo de diferentes períodos históricos. “250 anos é uma data especial. Trabalhei no grupo durante 30 anos e foram anos inesquecíveis para mim”, assegurou.
Ao recordar as mudanças políticas e sociais que Portugal atravessou desde a fundação da Garland, Peter Dawson evidenciou a dimensão histórica do percurso empresarial: “a Garland passou por dez monarquias, várias guerras, uma República, uma ditadura e uma democracia.”
Na sua intervenção final, atribuiu o sucesso do grupo aos colaboradores e à capacidade de tomar decisões que permitiram acompanhar a evolução tecnológica e as exigências do mercado.
“Para mim, o grande sucesso deste Grupo, são os funcionários da família Garland, e tão ou mais importante, a liderança, durante vários séculos, a visão para sempre conseguir, com risco, mas com confiança, tomar decisões para adaptar o Grupo aos avanços tecnológicos e necessidades dos clientes e do mercado.”
Com a publicação de ‘Garland 250 Years’, o grupo assinala o seu aniversário através de um registo histórico que procura preservar a memória da empresa e documentar a sua relação com a evolução do país.
Fonte: Notícias Hipersuper